Por André Lucania
Em 1993 surgiu no Corinthians um jovem de 17 anos, volante de muito vigor físico e cheio de disposição. Um dos responsáveis pela bela campanha do Timão no Brasileirão daquele ano, Zé Elias criou uma identificação muito grande com o alvinegro de Parque São Jorge, de onde saiu em 1996 após ter conquistado um título Paulista e uma Copa do Brasil.
Com passagens por todas as categorias da seleção Brasileira, inclusive disputado as Olimpíadas de Atlanta, nos Estados Unidos, Zé Elias tem uma larga experiência no futebol europeu, onde atuou em grandes clubes como Bayern Leverkusen (ALE), Inter de Milão (ITA), Olimpiakos (GRE) e Genoa (ITA).
Campeão Brasileiro com o Santos, em 2004, Zé Elias está atualmente defendendo as cores do Londrina, do Paraná. Mas aos 31 anos, o jogador revela nessa entrevista exclusiva ao ArenaFC o desejo de retornar a um time de ponta do Brasil, e até mesmo encerrar a carreira no Corinthians, clube que o revelou.
ArenaFC - Como está sendo sua experiência jogando pelo Londrina?
Zé Elias - A experiência com o Londrina tem sido muito positiva do lado profissional, já que estou voltando ao mercado brasileiro depois de um tempo fora.
ArenaFC - Aos 31 anos, quais os seus principais objetivos na carreira? Pretende atuar até que idade?
Zé Elias - O meu grande objetivo é conseguir jogar de novo em um time grande do futebol brasileiro. Pretendo jogar até quando puder. O futebol hoje é muito competitivo e mudou bastante devido às necessidades financeiras dos times. Hoje, a prioridade são os jovens.
ArenaFC - Por qual motivo você acredita que não esteja em um grande centro, em um clube considerado grande novamente?
Zé Elias - Demorei um pouco para acertar. Infelizmente fui enganado por um empresário e perdi o período de mercado, e isso fez com que eu ficasse sem time.
ArenaFC - Você acredita que a identificação que criou com o Corinthians pode ter atrapalhado algumas negociações com outros clubes rivais ao time de Parque São Jorge?
Zé Elias - Acredito que não. Sou muito feliz e honrado por ter essa identificação com o Corinthians. No passado, talvez isso tivesse mais peso, mas hoje não penso que atrapalhe tanto.
ArenaFC - Gostaria de voltar ao Corinthians?
Zé Elias - Gostaria de voltar, sim. Se possível, encerrar a carreira no clube, pois foi lá onde comecei e gostaria de terminar minha trajetória no futebol. Mas tenho a consciência que isso será difícil de acontecer.
ArenaFC - Muitos jogadores com a sua idade ainda se mantêm jogando em grandes clubes, até da Europa. Por que você não conseguiu se manter também?
Zé Elias - Porque a maioria dos jogadores que têm a minha idade foram para a Europa com 24 ou 25 anos e eu fui com 19. Isso faz um pouco a diferença e, além do mais, eu resolvi voltar em 2004 e tinha propostas para ficar por lá. Mas não me arrependo, sei que fiz a escolha certa.
ArenaFC - Como você avalia o futebol hoje? Dá para compará-lo com o de 1993, quando você começou como profissional no Corinthians?
Zé Elias - O futebol que se joga hoje é muito mais físico do que técnico, em que se utiliza mais a força e a velocidade do que em 1993, quando comecei. Naquela época se corria também, claro, mas a prioridade era a qualidade dos jogadores. Em resumo, os times, na média, eram muito melhores do que os de hoje.
ArenaFC - Você teve várias passagens pela seleção Brasileira. Conte um pouco como é essa experiência?
Zé Elias - Na seleção, vivi grandes momentos, como jogar uma Olimpíada e acima de tudo de servir o meu país. Confesso que nenhuma outra emoção é mais forte do que você se perfilar e escutar o hino do seu país. Isso é mais ou menos a mesma emoção do que o nascimento de um filho. Ali também convivi com os maiores jogadores de futebol do planeta, como Ronaldo, Aldair, Branco, Roberto Carlos e por aí vai, além de abrir as portas para o futebol europeu. Uma coisa muito legal que aconteceu, que um repórter me contou, foi que eu fui o único jogador que convocado para as três seleções ao mesmo tempo: nas categorias júnior, olímpica e principal.
ArenaFC - Existe algum fator extra-campo para um atleta ser convocado para a seleção Brasileira?
Zé Elias - Não acredito que exista tal coisa. Se especula muito sobre isso, mas a Seleção Brasileira é muito grande para se sujeitar a tamanha sujeira.
ArenaFC - Qual a importância de um empresário ao lado de um jogador?
Zé Elias - A importância é muito grande, principalmente hoje. Caso o jogador não tenha um procurador com uma certa influência e com muito conhecimento, ele não joga. O futebol hoje é muito fechado e as amizades definem muitas coisas.
ArenaFC - Seu irmão, o Rubinho, saiu do Corinthians sem muitas explicações e sem ser valorizado por se tratar de um "prata da casa". O que aconteceu exatamente?
Zé Elias - Prefiro não falar sobre isso. Respeito muito o meu irmão e sei o potencial dele. É impossível um jogador que tem o recorde de convocações nas seleções de base do Brasil e não jogar no Corinthians. Hoje, ele está entre os cinco melhores da Itália e essa é a melhor resposta para as pessoas. O Corinthians, como clube, não tem culpa do que aconteceu, mas sim algumas pessoas que o dirigiram.
ArenaFC - Recentemente você foi convidado para participar das festividades do centenário da Inter de Milão, um clube que defendeu por alguns anos na Europa. Você acredita que falta um pouco de respeito do Corinthians com os jogadores que o representaram, que foram ídolos como é o seu caso?
Zé Elias - Um pouco, sim, mas não é só o Corinthians que tem esse problema, é uma questão de cultura, coisa da nossa educação. Nós temos a memória curta e com os clubes brasileiros não é diferente.
ArenaFC - Qual o técnico mais importante na sua carreira?
Zé Elias - Todos foram importantes, mas posso destacar o preparador físico Ricardo Rosa, com quem trabalhei dos 13 até os 20 anos e, sem dúvida, o Marcio Araújo, responsável por me indicar para Mário Sérgio no profissional, além do próprio Mário, que acreditou em mim e deu uma oportunidade.
ArenaFC - Quais suas maiores alegrias e frustrações na carreira?
Zé Elias - maior alegria dentro do futebol é saber que tenho as portas abertas por onde passei. Que fiz amigos e me respeitam por aquilo que sou como pessoa e como jogador. Frustrações na minha carreira não existem, pois sempre fiz o que gosto e atingi tudo o que um jogador pode chegar. Só tenho a agradecer a Deus pela minha vida, por tudo o que tenho e por tudo o que ele me deu, a começar pela minha esposa e pelos meus filhos.
Agradecimento à Tática Assessoria.
Fotos: Site Oficial do Zé Elias (